O carnaval é a maior festa popular do Brasil. Milhares de foliões saem às ruas, enchem os salões, desfilam em bloquinhos ou escolas de samba, seguem o trio elétrico ou dançam frevo. Mas, há quem prefira a calmaria e aproveita esses dias de folga para buscar refúgio em casa, na natureza ou em retiros espirituais.

Seja qual for a sua decisão, um ponto é certo: não perca a sua saúde de foco, inclusive a mental. Muito se fala nesse período sobre prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), cuidado com a hidratação, preparação física, entre outros pontos relacionados à saúde do corpo, o que é essencial, no entanto, a mente não pode ser negligenciada.

A palavra-chave para manter esse cuidado é equilíbrio, o que pode ser alcançado quando se respeita o próprio corpo e seus limites, não se age por impulso, nem levado por pressão social.

Um exemplo mencionado pelo psicólogo clínico Thiago Barreto Sales é a pressão para o consumo de bebidas alcoólicas, vivida com muito mais intensidade em períodos de festas, principalmente no carnaval. “Para alguns, isso pode ser uma fonte de alegria e liberdade, mas para outros, pode desencadear sentimentos de ansiedade, solidão e inadequação”, completa.

Para a terapeuta emocional Zoraide Cardoso, especialista em terapia de reprocessamento generativo, o ato de ceder às pressões externas, seja no carnaval ou em qualquer outra época do ano, tem relação com a carência afetiva, muitas vezes, carregadas desde a infância, e internalizadas no inconsciente.

“A pessoa está se sentindo carente? Então, vai para os relacionamentos fáceis dessa época ou vai beber para preencher aquele vazio dentro dela. Não só na época do carnaval, mas nesse momento as pessoas estão ali, de certa forma, para viver aquilo”, explica.

Zoraide também destaca que a sensação de abandono é potencializada por esses “relacionamentos de carnaval”, pois iniciam de maneira rápida e são passageiros, e muitos comportamentos pós-carnaval surgem dessas relações, mesmo sem que a pessoa tenha essa noção, já que “95% da nossa vida é dominada pelo inconsciente”.

Para aqueles que buscam o reequilíbrio emocional, o ideal nesse tempo de agitação é procurar por locais que transmitam tranquilidade, paz. Os retiros espirituais são recomendados, assim como os locais que proporcionam contato com a natureza e consigo mesmo.

Quando se está num ambiente de carnaval, segundo a terapeuta, as pessoas estão focadas em olhar para fora, e muitas máscaras e fantasias revelam ou tentam camuflar dores que existentes do lado de dentro e que, pelo ambiente, acabam sendo potencializadas.

Mas, “se a pessoa está em um retiro, em contato com a natureza, pode se conectar com Deus e olhar para dentro de si em um cenário que provoca mudanças na alma, na mente”, finaliza Zoraide.
ATENÇÃO

Se você precisa de ajuda, peça!

Lembre-se: você não está só.

O CVV, Centro de Valorização da Vida, é um “serviço voluntário gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato”.

Há atendimento gratuito, 24 horas, pelo telefone 188, por chat, e-mail e pessoalmente.

Acesse www.cvv.org.br e saiba mais!

6 Dicas para buscar ou manter a saúde mental em tempos de carnaval

por Thiago Barreto Sales, psicólogo

1. Tome decisões sem pressão

Conheça a sua área de conforto. Não se sinta pressionado a acompanhar o ritmo dos outros se isso não estiver alinhado com as suas necessidades e desejos.

2. Estabeleça seus limites

Se você decidir participar das festividades, defina limites claros para si mesmo, como limites de consumo de álcool, tempo gasto em eventos e a hora de ir para casa.

3. Pratique o autocuidado

Reserve um tempo para cuidar de si mesmo. Isso pode incluir meditação, exercícios, tempo ao ar livre ou qualquer atividade que o ajude a relaxar e recarregar as energias.

4. Encontre um equilíbrio

Aproveite a festa, mas reserve tempo para descansar e se recuperar. Alternar entre momentos de diversão e de tranquilidade pode ajudar a manter sua saúde mental em equilíbrio.

5. Conecte-se com os outros

Este é um momento para se conectar com amigos e familiares, mas também pode ser solitário para alguns. Certifique-se de alcançar aqueles que podem estar se sentindo isolados e oferecer apoio mútuo.

6. Esteja atento aos teus sentimentos

Caso se sinta sobrecarregado, ansioso ou deprimido, não hesite em buscar ajuda. Falar com um amigo, familiar ou profissional de saúde pode fazer toda a diferença.